Daily Archives: 13/02/2017

Nos fundos do prédio tem carros velhos e caixas d’água destampadas.
Foco de mosquitos fica ao lado de hospital que cuida de HIV e tuberculose

Você vai ver agora um lugar que descumpre as recomendações mais básicas das autoridades de saúde na prevenção do mosquito da dengue, da zika e da chikungunya. Por isso mesmo, um lugar que se tornou criadouro de mosquitos. Um criadouro federal, no estado do Maranhão.

Nas carrocerias, as larvas são visíveis, e são muitas. Dentro dos carros, onde também se acumula água, mosquito para todo lado. Atormentaram o nosso cinegrafista e toda a equipe.

Nosso auxiliar técnico foi picado, dentro de um órgão que deveria estar ajudando a combater o mosquito da dengue.

O cemitério de carros velhos é um convite para a proliferação de mosquitos, inclusive do Aedes aegypti, que adora água parada. E fica nos fundos do prédio da Fundação Nacional de Saúde, em São Luís, a Funasa.

Além dos carros, também há caixas d´água destampadas espalhadas pelo pátio e mais mosquitos.

É impressionante a quantidade de água parada que a gente encontrou. São muitos veículos abandonados. O que torna a situação ainda mais preocupante é que tudo isso está ao lado de um hospital.

O Hospital Estadual Getúlio Vargas trata de pacientes com HIV e tuberculose – que têm baixa imunidade.

A enfermeira, que não quis aparecer, diz que sabe do risco.

Enfermeira: Já reclamamos. Ninguém faz nada. E aí?
Repórter: Vocês não ficam preocupados?
Enfermeira: Ficamos.

Em 2016, foram confirmados mais de 12 mil casos de dengue no Maranhão. Cerca de 10.500 pessoas tiveram chikungunya, 4.100 tiveram zika. E 26 pessoas morreram dessas doenças.

A superintendência regional da Funasa disse que agentes municipais têm aplicado larvicidas nos carros abandonados e minimizou o problema.

Repórter: Na visão de vocês, a situação ali não vinha oferecendo risco algum à população?
Maria de Fátima de Oliveira Chaves, da Funasa: Efetivamente não. Agora, com relação aos veículos, com a chegada das chuvas, as providências estão sendo tomadas para a cobertura dos mesmos, enquanto a gente aguarda um leilão para eles serem retirados de lá.

Enquanto o leilão não acontece, os mosquitos aproveitam.

Fonte: G1

  • “Quero reestruturar a minha vida por meio do estudo e do trabalho, arrumar um emprego e ser feliz”, diz Mário

Dos bancos das praças de Parnamirim (região metropolitana de Natal) para as carteiras da UFRN (Universidade Federal do Rio Grande do Norte). Esta será a nova vida do morador em situação de rua Mário Batista da Cruz Júnior, 34, aprovado em segundo lugar no curso de administração da federal potiguar. Ele obteve a nota 443,19 para o curso, ficou em segundo lugar na turma de administração do período noturno, após seleção do Sisu (Sistema de Seleção Unificada).

Cruz obteve a nota geral de 643,06 pontos, porém, para o curso, ele pontuou em 443,19 devido aos pesos diferentes das disciplinas de redação, português e matemática.

Cruz ingressará na vida de estudante universitário na próxima segunda-feira (13), quando começam as aulas do primeiro semestre da UFRN. Com sorriso largo e ainda sem acreditar que vai cursar uma graduação, ele afirma que se submeteu às provas do Enem 2016 (Exame Nacional do Ensino Médio) para obter o certificado do ensino médio e, assim, poder distribuir currículos para concorrer a vagas de emprego.

Divulgação/Secretaria Municipal de Assistência Social de Parnamirim

Comprovante de matrícula de Mário na UFRN

O despertar para o estudo veio depois que a ex-mulher dele engravidou. “Senti a necessidade de dar uma guinada para mudar a situação que estava vivendo”.

Cruz queria oferecer uma situação financeira melhor para a mulher e a filha. Com dificuldades financeiras, o calouro fez apenas seis meses do 1º ano do ensino médio, abandonou o curso, mas não desistiu de se submeter às provas do Enem.

“A direção da escola explicou que quem obtivesse mais de 500 pontos na redação e mais de 450 pontos nas outras áreas conseguiria o certificado do ensino médio. Fiz o Enem pensando em obter esse certificado e acabei entrando na universidade”, conta o calouro do curso de administração da UFRN.

Em entrevista ao UOL, Cruz conta que estudou sozinho, nas horas vagas, nas praças e na fila do albergue municipal de Parnamirim, e não seguiu um roteiro de estudos para obter a façanha de passar em segundo lugar no curso.

Não estudei matérias específicas, mas li de tudo. Todos os livros que eu pego, eu devoro. Gosto muito de ler. Usava bibliotecas públicas e minibiblioteca instalada numa praça em Parnamirim, além de livros de um ‘sebo’ [loja de livros usados] que pegava emprestado.”

Vida na rua

Há um ano, Cruz só dorme no Albergue Municipal de Parnamirim para não ficar ao relento e ter uma noite tranquila. Ele também recebe auxílio do Centro POP (Centro de Referência Especializada para Pessoas em Situação de Rua) quando precisa de ajuda durante o dia. Para conseguir uma das 22 vagas masculinas disponíveis para pernoitar no albergue, Cruz chega às 14h30, mas o local só abre às 17h.

Divulgação/Secretaria Municipal de Assistência Social de Parnamirim

Angélica Rocha, coordenadora do centro POP, e a secretária de Assistência Social, Elienai Cartaxo, ao lado de Mário

“A fila é grande para conseguir pernoitar no albergue e eu prefiro perder a tarde, que poderia estar faturando com a venda de doces e adesivos. Prefiro não arriscar e dormir em segurança. Lá eu tomo banho e me alimento, isso para mim é primordial porque não tenho onde morar”, afirma.

Às 18h, os frequentadores do albergue recebem kits de higiene, tomam banho e às 19h recebem o jantar. Logo após, são oferecidas palestras ou atividades educativas, além de jogos, livros, revistas e televisão no espaço de convívio coletivo. Às 21h30, eles recebem um lanche, os lençóis e já podem se recolher para os beliches. Às 6h, é aberto o banho e às 6h30 a última refeição do albergue, que é o café da manhã. O local fecha às 7h e todos são convidados a voltarem para as ruas ou irem para o Centro POP, que oferece terapias ocupacionais e tratamento médico e de psicólogos, caso necessitem. Mas Cruz prefere sair às ruas para tentar vender seus produtos e faturar algum dinheiro.

Ele consegue cerca de R$ 100,00 por semana vendendo balas, amendoins e adesivos pelas ruas e ônibus que integram o sistema de transporte da Grande Natal. Ele ainda contribui com o sustento de outros quatro filhos com outras duas mulheres. Cruz perdeu o contato com um outro filho, que é criado pelo pai dele junto com a ex-mulher, que se tornou madrasta.

O calouro relembra o fim de semana que se submeteu às provas do Enem e contou que se sentiu deslocado com a diferença social na sala que a prova foi aplicada. “Olhava para as pessoas e me via em situação de inferioridade. Achava que aquelas meninas ou meninos que estudaram em colégio particular teriam mais chance de passar e eu não teria oportunidade alguma, mas me enganei e agora descobri meu potencial”, destaca.

Ele aprendeu a falar inglês quando trabalhou para uma empresa de turismo em Ponta Negra, praia turística de Natal, e agora quer também aperfeiçoar a língua estrangeira. “Quatro meses nesta empresa foram suficientes para eu aprender a ouvir, entender, ler e falar inglês. Mas, preciso aperfeiçoar o que sei neste idioma com curso de línguas”, diz Cruz.

Os planos do calouro são de concluir o curso, fazer uma pós-graduação, enquanto monta seu próprio negócio, além de desenvolver um programa de incentivo aos estudos voltado para pessoas em situação de rua.

Horário das aulas será problema

Apesar de estar curtindo a felicidade da aprovação, o jovem conta que estudar na UFRN está causando preocupação com a sua moradia durante a graduação. Segundo o diretor do albergue, Amarílio Sales, a logística do usuário do albergue em estudar em Natal e pernoitar em Parnamirim gerará despesa com passagens de ônibus, além do tempo gasto no deslocamento entre as cidades.

“A última aula dele termina às 22h15. Daqui que ele pegue o circular da universidade que leva os estudantes para os terminais rodoviários pode ocorrer do último ônibus já ter passado e ele não ter como voltar. Garantimos a ele a vaga, o jantar e a ceia, fugindo às regras do albergue quanto ao horário de entrada, para incentivá-lo na graduação, mas observamos que o melhor lugar para ele é a residência universitária, que fica dentro da própria universidade”, diz Sales.

“Preciso ser aceito na residência universitária porque meu curso é à noite e, pela logística, não terei como voltar para o albergue de Parnamirim”, explica. A história de superação de Cruz sensibilizou colegas de curso e eles criaram uma campanha para arrecadar calçados, roupas e material escolar — ele só tem uma roupa e um par de sapatos. O grupo também está se organizando para criar uma conta no site www.vakinha.com.br para que as pessoas também possam doar dinheiro.

“Não estou na rua de verdade porque existe esse serviço da prefeitura para pernoitar. Morando na rua é difícil é encontrar algo que preste. Eu olho e vejo que dentro da UFRN vai ser um ambiente estimulante para recomeçar a vida com dignidade”, reforça Cruz.

A coordenadora do Centro POP, Angélica Rocha, conta que ajudou o jovem a reunir a documentação e fazer a matrícula na UFRN. “Ele servirá de exemplo e inspiração para outros jovens que estão aqui em situação semelhante. Estamos felizes por ter contribuído para melhorar a vida de Mário Júnior”, diz.

Cruz afirma que pretende ser empreendedor, mas não sonha em ser rico. Ele quer apenas o essencial para sobreviver, sustentar os filhos e ajudar pessoas necessitadas.

Quero reestruturar a minha vida por meio do estudo e do trabalho, formar um novo ciclo, com novas amizades e refazer os laços familiares, que é o mais importante, mas também, desejo arrumar um emprego e ser feliz.”

Fonte: UOL

  • Até quarta-feira (1º), Mascarenhas havia arrecadado R$ 500 dos R$ 2.000 que deve

“Oi, tudo bem? Meu nome é Guilherme Mascarenhas e estou vendendo biscoitos mineiros para pagar a minha faculdade. Você pode me ajudar?” É assim que o estudante de gestão pública se apresenta aos motoristas de Águas Claras, região que fica a 16 km de Brasília. Desde o dia 22 de janeiro, o jovem de 19 anos, tenta arrecadar R$ 2.000 para quitar as dívidas do semestre passado e poder fazer a matrícula deste ano.

Todos os dias, o morador de Samambaia atravessa a cidade e vai para a avenida Araucárias, em Águas Claras, próximo à estação Concessionárias do metrô.

Ele sai de casa às 6h, chega ao local às 7h30 e caminha entre os semáforos até as 11h30. Até esta quarta-feira (1º), o estudante havia arrecadado R$ 500.

Um pacote sai por R$ 3, e dois por R$ 5. Os biscoitos são comprados diretamente de uma fábrica, em Taguatinga. A quantia deve ser arrecadada até o dia 13 de fevereiro, data de início das aulas na Faculdade Projeção, em Ceilândia. Procurada, a instituição não quis se manifestar.

“Quero ser servidor público e dar uma vida melhor para a minha família”

“Já consegui uma boa parte do dinheiro, graças a Deus. A maioria dos motoristas apoia e parabeniza. Infelizmente, há uma minoria que me ignora e nem abre o vidro do carro. Mesmo assim, continuo tentando e persistindo pelos meus estudos. Quero ser servidor público e dar uma vida melhor para a minha família”, conta o estudante que está no terceiro semestre do curso.

Comerciante, Julio Souza já virou cliente do estudante. Diariamente ele passa pelo local para ir ao trabalho e já garante pelo menos, dois pacotes de biscoito. “Além de ser muito gostoso, compro para incentivar a causa. É raro ver alguém tão novo se preocupando com futuro.”

Mascarenhas mora com a avó e a mãe. À noite, ele trabalha como pizzaiolo. Atualmente, toda a renda do estudante vai para a faculdade e os custos da casa, já que a mãe está desempregada. Por mês, Guilherme ganha R$ 1.000. Dessa quantia, ele tira R$ 274 que vai direto para a conta da faculdade.

“Nunca tive vergonha de vender biscoitos no sinal. Desde que iniciei o projeto, sempre tive um pensamento positivo do que estou fazendo, com humildade e perseverança. Infelizmente, a educação precisa melhorar no nosso país. Mas, vou fazer minha parte. O tamanho da minha luta será o tamanho da minha vitória.”

Fonte: UOL

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