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Jovem chamada de ‘macaca’ por colega ganha bolsa em escola particular: ‘Alívio’

A estudante de 12 anos vítima de racismo em uma escola da rede pública de ensino em Praia Grande, no litoral de São Paulo, ganhou uma bolsa de estudos integral em uma instituição particular da cidade. A adolescente apontada como autora da agressão é acompanhada pelo Conselho Tutelar.

O caso da jovem Adriele ganhou repercussão após a mãe dela, a vendedora Adelaide Alves, de 31 anos, compartilhar o ocorrido em uma rede social. Na publicação, ela mostrou a imagem de uma carta na qual a filha é chamada de ‘macaca’, e ainda é ameaçada de morte. A Secretaria de Educação da cidade iniciou a apuração dos fatos.

“Depois de tudo o que aconteceu, recebemos o contato da diretora de uma escola particular que ofereceu a bolsa para a minha filha. Ela também ganhou o uniforme e o material escolar. Para nós, foi um alívio. Eu e a diretora choramos juntas”, contou a vendedora. Adriele inicia as aulas na segunda-feira (3).

Adelaide aguardou por quase uma semana a decisão sobre a transferência ou não da filha para outra unidade pública, depois que o caso de racismo repercutiu. “Eles me disseram que tinham conseguido vaga, mas era para uma escola longe demais. Não tinha condições de levá-la até lá, e eu já tinha dito isso”.

Adelaide ao lado da filha, vítima de ameaças e racismo em escola de Praia Grande, SP (Foto: Arquivo Pessoal)Adelaide ao lado da filha, vítima de ameaças e racismo em escola de Praia Grande, SP (Foto: Arquivo Pessoal)

Adelaide ao lado da filha, vítima de ameaças e racismo em escola de Praia Grande, SP (Foto: Arquivo Pessoal)

A vaga para uma escola pública próxima de onde as duas moram foi liberada na terça-feira (28), mesmo dia em que ela soube da bolsa de estudos. “Eu só quero que a minha filha estude em um lugar em que ela se sinta segura. A diretora [da instituição particular] me prometeu que ela ficará bem e será bem cuidada”.

A Secretaria de Educação (Seduc) de Praia Grande informou que foram definidas ações disciplinares na Escola Municipal Joaquim Augusto Ferreira Mourão, no bairro Melvi, onde ocorreu o crime de racismo. A unidade recebeu palestras ministradas por psicólogos para falar sobre a temática bullying.

“Quanto à transferência da aluna, com o objetivo de preservar a jovem, a Seduc destaca que concedeu vaga em outra unidade escolar, assim que a mãe deu entrada com a solicitação de transferência”, afirmou a prefeitura, antes da decisão de Adelaide em aceitar a bolsa de estudos em uma instituição privada.

O Conselho Tutelar de Praia Grande também informou que a família da vítima está sendo assistida por uma equipe multidisciplinar, e que a estudante identificada como responsável pelas agressões racistas é alvo de um acompanhamento disciplinar. Ela recebeu uma suspensão da unidade de ensino.

Racismo

A situação começou uma semana antes das férias escolares, em junho, mas se repetiu em agosto. Ao G1, a mãe contou que as primeiras ofensas surgiram na saída da escola, ao fim das aulas. Mães de colegas da filha a alertaram por telefone, na tentativa de protegê-la.

“Uma das mães me ligou pedindo para eu buscar a Adriele, pois havia outra menina a xingando de negra, vagabunda e macaca, e dizendo que ia bater nela. Ela me orientou a fazer um boletim de ocorrência, e que depois dava detalhes”. Depois que soube, ela fez o B.O. de injúria e difamação e o apresentou na escola.

“A diretora disse que sabia o nome da autora das ofensas e que iria conversar com a mãe dela, que eu não devia me preocupar. Ela ainda disse que não queria me incomodar com isso, pois trabalho longe. Sequer preocupou-se em tirar cópia do B.O.”, conta. Porém, novas ameaças a fizeram descobrir outra versão.

“Procurei a mãe dela, que me disse que, na verdade, a diretora só a procurou quando uma terceira criança, que tomou as dores da minha filha, brigou com a garota”, explica. Triste, a vítima chegou a ficar uma semana sem ir à escola, e só se distraiu em seguida, quando entrou de férias em junho.

“Minha filha recebeu a carta, que dizia que ela fedia, que parecia uma macaca, que queriam matá-la. Na escola, ela foi orientada a entregar para a diretora, e depois, para não me contar. Descobri por uma amiga minha, que já sabia, e me questionou. De novo, fui a última a saber”, conta. Indignada, decidiu publicar a situação nas redes sociais, o que causou grande repercussão.

Fonte: G1

Categoria: Notícias