
Enquanto a juventude de Codó aguarda ações concretas da Secretaria Municipal da Juventude, o secretário Valdeci Calixto continua ignorando uma de suas principais obrigações legais: garantir o funcionamento do Conselho Municipal da Juventude.
Em janeiro de 2026, Valdeci Calisto foi denunciado ao Ministério Público Estadual por não ter criado a comissão responsável pela renovação do mandato do Conselho Municipal da Juventude, conforme determina a Lei Municipal nº 1.735, de 11 de novembro de 2015.
O Conselho Municipal da Juventude não é um órgão opcional. Trata-se de um instrumento de participação popular e controle social criado para acompanhar, fiscalizar e contribuir com as políticas públicas voltadas à juventude. Sem ele, a juventude perde representação institucional e espaço para participar das decisões que afetam diretamente sua realidade.
O ex-presidente do Conselho Municipal da Juventude, Leonardo Alves, comunicou oficialmente ao Ministério Público, ainda em novembro de 2025, que seu mandato havia sido encerrado e que era necessária a realização de nova eleição para garantir a continuidade dos trabalhos do colegiado. Mesmo diante do alerta, a Secretaria da Juventude permaneceu inerte.
A omissão da secretaria coloca em risco a continuidade do conselho, enfraquece a participação popular e compromete a construção de políticas públicas para os jovens do município.
Além disso, Valdeci Calixto também já foi alvo de questionamentos pela ausência de ações voltadas à juventude LGBT, juventude de matrizes africanas e jovens com deficiência. Desde o início da sua gestão à frente da secretaria, não foram desenvolvidas iniciativas significativas destinadas a esse segmento, apesar da diversidade existente entre os jovens codoenses.
Enquanto deixa de cumprir responsabilidades básicas da pasta que comanda, o secretário tem concentrado esforços em ações de forte apelo político dentro das igrejas e das escolas. Nesta segunda-feira (22) divulgou vídeo ao lado de estudantes atribuindo destaque a recursos destinados ao Centro de Ensino Lúcia Bayma Araújo.
Os recursos, entretanto, não pertencem à Secretaria Municipal da Juventude. São investimentos públicos destinados à educação estadual. A tentativa de vincular tais benefícios à atuação política de agentes municipais gera questionamentos sobre o uso da imagem de estudantes e lideranças estudantis para promoção pessoal e construção de capital político visando as eleições de 2028.
A prioridade da Secretaria Municipal da Juventude deveria ser garantir o funcionamento dos mecanismos de participação social previstos em lei, promover políticas públicas para todos os segmentos da juventude e assegurar a representação democrática dos jovens de Codó.
Enquanto isso não acontece, permanece a pergunta: por que a renovação do Conselho Municipal da Juventude continua sendo ignorada por Valdeci Calixto, mesmo após os alertas e a atuação do Ministério Público?

