
O presidente da Câmara Municipal de Codó, Francisco Roberto de Araújo Albuquerque (Roberto Cobel), autorizou uma despesa pública que gera indignação e questionamentos sobre prioridades e respeito ao dinheiro do contribuinte. A decisão consta na Dispensa de Licitação nº 008/2026, publicada no Diário Oficial da Câmara de Codó nesta segunda-feira (02/02/2026), que ratifica a contratação da empresa José Mario Pereira de Jesus, CNPJ nº 23.050.531/0001-94, localizada em Ribeira do Amparo na Bahia, para o fornecimento de kit carteira tradicional em couro legítimo, com brasão da República, destinado ao uso dos vereadores, pelo valor total de R$ 64.173,00.
Codó possui apenas 19 vereadores, e uma conta simples revela o dado mais chocante da contratação: cada carteira custará R$ 3.377,53 por parlamentar. Trata-se de um item de uso pessoal e simbólico, que não é essencial ao funcionamento administrativo da Câmara nem indispensável ao exercício do mandato, mas que será pago integralmente com recursos públicos.
O contraste se torna ainda maior quando se observa a remuneração dos próprios beneficiados. Cada vereador de Codó recebe cerca de R$ 11 mil por mês, além de 13º salário e férias remuneradas. Mesmo com essa remuneração elevada para a realidade local, o presidente da Câmara optou por bancar, com dinheiro do contribuinte, uma carteira de couro de luxo avaliada em mais de R$ 3.000,00 (três mil reais) para cada parlamentar.
Em um município que figura entre os piores índices de desenvolvimento humano do Brasil, a decisão soa como um deboche com a população codoense. A Câmara, que deveria concentrar seus esforços em legislar para melhorar a vida do povo, escolheu olhar para o próprio conforto e para o próprio bolso. Enquanto isso, vereadores poderão circular pelas ruas pobres da cidade com “estilo”, exibindo acessórios caros pagos por quem mais sofre com a falta de políticas públicas.






