Ministério Público requer correções no Portal da Transparência da Prefeitura de Alcântara

Devem ser reparadas 30 irregularidades em 15 dias úteis

Em Ação Civil Pública ajuizada nesta segunda-feira, 26, Ministério Público do Maranhão (MPMA) solicitou que o Município de Alcântara corrija 30 irregularidades no seu Portal da Transparência.

As falhas foram constatadas pelo órgão ministerial e Tribunal de Contas do Estado (TCE). O prazo para as correções é de 15 dias úteis. A multa sugerida é de R$ 5 mil diários.

“O Município vem descumprindo as disposições das leis de Acesso à Informação (12.527/2011) e da Transparência (131/2009). Também não tem divulgado todas as informações determinadas pelas legislações”, explica o autor da Ação, titular da Promotoria de Justiça de Alcântara, Raimundo Nonato Leite Filho.

AVALIAÇÕES

As análises no Portal de Transparência foram realizadas com base na Recomendação nº 01/2016-GPGJ e Recomendação Conjunta nº 02/2017.

Em 2019, o TCE verificou que a Prefeitura de Alcântara descumpria as exigências da Lei Complementar n°101/2000, que estabelece normas de responsabilidade na gestão fiscal. A ferramenta obteve nota 6,75.

O MPMA solicitou ao prefeito de Alcântara informações sobre providências adotadas para sanar as irregularidades. O documento foi reiterado duas vezes e não houve resposta do Município.

Em dezembro de 2021, vistoria da Promotoria de Justiça no Portal observou que, dos 70 itens avaliados, somente 41 foram atendidos; 12, atendidos parcialmente e 16 não foram acatados.

Outra vez, o Ministério Público requereu ao gestor municipal informações relativas às inconsistências encontradas no Portal da Transparência, além da apresentação de plano de ação para solucionar os problemas.

No mesmo ano, relatório de acompanhamento realizado pelo TCE atribuiu índice de transparência B ao Portal da Transparência, correspondendo a nota 8,61. Em abril deste ano, outra avaliação do Tribunal atribuiu índice de transparência -C ao Portal da Transparência, correspondendo à nota 2,52.

Cinco meses depois, em nova análise do Tribunal de Contas, o Portal da Transparência do município atingiu nota 7,06, retornando ao índice de transparência B.

A última vistoria realizada pelo MPMA, em setembro, constatou que dos 70 itens avaliados, a ferramenta atendia apenas 23, atendia parcialmente 24 e não atendia 23, obtendo nota 6,75.

CORREÇÕES

Caso a solicitação do MPMA seja deferida, devem ser corrigidas 30 irregularidades, incluindo falta de ferramenta de pesquisa de conteúdo e funcionamento insuficiente do link “Fale Conosco”.

O portal também não informa receitas arrecadadas e despesas realizadas em diversos períodos. Da mesma forma, não disponibiliza valores de transferências voluntárias recebidas e realizadas, assim como referidos beneficiários e datas.

Entre os itens inexistentes no site, estão a relação de servidores e tabela de remunerações de cargos efetivos, além da folha de pagamento do exercício de 2019. Valores das diárias referentes ao Estado, fora do Estado e do país também não são disponibilizados.

O site não permite baixar documentos dos processos de dispensas de licitação, atas de adesão ao sistema de registros de preços, contratos administrativos e aditivos contratuais de diversos exercícios.

Licitações realizadas nos meses de julho, agosto e setembro de 2022 não constam na tabela de licitações.

Redação: Adriano Rodrigues (CCOM-MPMA)

SUS estende a adolescentes método de prevenção ao HIV

O Ministério da Saúde ampliou o programa de profilaxia pré-exposição (PrEP) ao HIV, incluindo adolescentes que tenham a partir de 15 anos. Até o início de setembro, a idade mínima para obter a medicação era 18 anos.

O método é uma estratégia adicional de proteção contra o vírus. Qualquer pessoa com peso corporal igual ou superior a 35 kg, sexualmente ativa e que se exponha a contextos de risco aumentado de infecção pelo HIV está elegível para fazer a profilaxia.

O programa foi implementado no país como política pública em 2017. O tratamento consiste no uso oral e diário de um comprimido composto por antirretrovirais e permite ao organismo criar uma barreira contra um possível contato com o HIV.

Já na profilaxia pós-exposição (PEP), o tratamento dura 28 dias e é feito após atividade sexual de risco ou acidente biológico (quando, por exemplo, um profissional de saúde sem proteção entra em contato com sangue de paciente) ocorridos há, no máximo, 72 horas.

Segundo o novo protocolo, o acesso a serviços, orientações e consultas é garantido aos adolescentes sem a necessidade de presença ou autorização de responsáveis legais. Conforme o ECA (Estatuto da Criança e do Adolescente), situações de risco à vida e de internação em hospitais, porém, devem ser comunicadas aos adultos.

Ao todo, 44.084 brasileiros usam a PrEP. Desses, 18.591 estão no estado de São Paulo, aponta o Painel PrEP, ferramenta do Ministério da Saúde.

Gays e outros homens que fazem sexo com homens, pessoas trans, travestis, trabalhadores do sexo e pessoas que mantêm parcerias sorodiscordantes (quando um tem HIV, e o outro, não) estão entre os perfis mais vulneráveis à infecção pelo vírus.

Para Inês Dourado, epidemiologista e professora da UFBA (Universidade Federal da Bahia), o estigma contra esses grupos é obstáculo na busca por assistência.

Mas não são somente essas as parcelas da população que estão suscetíveis ao contágio. A depender das práticas sexuais, qualquer pessoa pode estar em risco de infecção pelo HIV. Quem vive com o vírus não necessariamente desenvolve a Aids, o estágio mais avançado da doença.

Para Dourado, a ampliação do acesso à PrEP foi essencial. Ela é uma das coordenadoras do PrEP 1519, projeto que é o único da América Latina a investigar a efetividade do método em adolescentes de 15 a 19 anos.

A pesquisa, realizada de 2019 a 2021, acompanhou 1.200 jovens brasileiros com perfis de maior vulnerabilidade à infecção pelo HIV. “Cerca de 80% dos adolescentes apresentaram taxa de adesão de medicamento suficiente para se obter níveis adequados de proteção ao HIV”, afirma.

O estudo foi financiado pela Unitaid, agência de saúde global ligada à ONU (Organização das Nações Unidas) com foco em soluções para prevenir e tratar doenças graves como HIV/Aids.

O Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas (PCDT) do Ministério da Saúde aponta em 95% a efetividade da PrEP em grupos vulneráveis com adesão correta à medicação. A profilaxia, porém, não previne as demais infecções sexualmente transmissíveis (ISTs), como sífilis.

Rico Vasconcelos, infectologista e pesquisador da USP (Universidade de São Paulo), indica a “prevenção combinada” como a melhor estratégia ao reunir mais de um método de proteção, como uso correto de preservativos, testagem regular para infecção pelo HIV, diagnóstico precoce e tratamento adequado de ISTs. “Há 20 anos, a camisinha bastava. Hoje, só essa proteção não vai funcionar para todos”, diz.

O médico também destaca contextos que dificultam a redução das taxas de infecção, entre eles desigualdade social, estigma e violência contra a população LGBTQIA+. Vasconcelos cita, ainda, a falta de campanhas de conscientização.

De acordo com o IEPS (Instituto de Estudos para Políticas de Saúde), a proposta de Orçamento para 2023 do Ministério da Saúde prevê corte de R$ 407 milhões para prevenção, controle e tratamento de HIV/Aids e outras ISTs.

“Antes, eram feitas duas grandes campanhas por ano. Nos dois últimos anos, não teve nem sequer uma. Precisamos voltar a falar de prevenção”, afirma o infectologista.

Questionado sobre a ausência de campanhas de prevenção nos dois últimos anos e sobre cortes para 2023, o Ministério da Saúde afirmou que foram investidos mais de R$ 18,7 milhões em ações nos anos de 2020 e 2021 e que, em 2022, lançou a campanha “Quanto mais combinado, melhor!” para reforçar medidas de prevenção ao HIV entre os jovens.

Além disso, afirmou que nenhuma política pública será interrompida e que “buscará, em diálogo com o Congresso Nacional, adequações necessárias na proposta orçamentária para 2023”.

Dados do último boletim epidemiológico do órgão mostram que, em 2021, 2.080 brasileiros de 15 a 19 anos foram infectados pelo HIV –a maioria do sexo masculino (1.488). O aumento foi de 11% em relação a 2020, quando 1.834 adolescentes nessa faixa etária contraíram o vírus (1.234 homens).

Segundo Claudia Velasquez, diretora e representante do Unaids no Brasil, para abordar a prevenção combinada com jovens é preciso considerar espaços, linguagem e canais usados por esse público.

“Procuramos trazer um olhar prioritário para os jovens em situação de maior vulnerabilidade, que encontram barreiras de acesso à informação e aos serviços de prevenção, diagnóstico e tratamento de HIV e Aids”, diz ela.

O cearense Diego Uchoa tinha 16 anos quando se infectou com HIV, em 2004. Àquela época, não existia PrEP. Órfão de pai e mãe, ele desconhecia métodos de prevenção. “Eu tinha pouco entendimento sobre camisinha e nem sequer conhecia o HIV.”

Quando diagnosticado, Uchoa entrou ao vivo em uma rádio em Jaguaribe, município a 135 km da capital cearense, para contar sua história. “Fui pedir ajuda para chegar até Fortaleza. Estava desesperado. Todo mundo da cidade soube. Foi assim que encontrei o preconceito. Onde chegava, pessoas separavam copo, prato, toalha”, conta ele, hoje com 34 anos.

O estigma o fez passar dez anos sem procurar assistência. Nesse período, perdeu peso, e o quadro evoluiu para Aids, que requer terapia com retrovirais. Quando chegou ao Hospital São José de Doenças Infecciosas, na capital, estava com 32 kg. Hoje recuperado, trabalha na Casa Sol Nascente, organização que acolhe adultos e crianças com HIV/Aids.

Já o procurador do Estado do Rio Grande do Sul Lourenço Floriani Orlandini, 39, conheceu a PrEP quando o medicamento estava sendo estudado para inclusão no SUS. Há quatro anos, foi voluntário de estudos para entender a adesão ao tratamento na rede pública.

Orlandini conta que incluiu a PrEP como mais uma medida preventiva porque, de forma inconsciente, atrelava sua sexualidade à morte. “A homossexualidade foi muito associada, na adolescência, às pessoas que ficavam magras e morriam devido a complicações da infecção.”

O procurador compreende que um diagnóstico positivo para o vírus, hoje, não indica uma sentença de morte. E acrescenta que a PrEP não o faz negligenciar outros métodos preventivos. “Isso me permite viver a sexualidade de uma forma mais saudável.”

Quem pode usar a profilaxia Pessoas a partir de 15 anos, sexualmente ativas, com peso corporal igual ou superior a 35 kg Populações-chave, formadas por gays e homens que fazem sexo com homens, pessoas transgênero, travestis e trabalhadores do sexo Qualquer pessoa em contextos de risco aumentado de infecção por HIV, que tenha muitas parcerias, frequência de práticas sexuais sem proteção adequada e faça uso irregular de preservativos Não tenha sido infectado por HIV Tenha feito uso repetido de PEP (profilaxia pós-exposição ao HIV) Tenha contraído infecções sexualmente transmissíveis com frequência Veja aqui em quais serviços do SUS a PrEP está disponível.

Fonte: Folhapress (Caio Faheina)

Prefeitura de Codó firma parceria com IPEDE para gerar desconto em cursos de graduação para servidores públicos

Visando garantir os investimentos em conhecimentos, qualificação e aprimoramento curricular, aos servidores públicos municipais, a prefeitura de Codó firmou uma importante parceria com o Instituto Pedreirense de Educação e Extensão (IPEDE) que vai beneficiar os servidores com 50% em cursos superiores, técnicos e pós-graduação.

O prefeito Dr. Zé Francisco, esteve reunido com o supervisor administrativo, Célio Roberto, com a coordenadora Joselice Pereira, onde firmaram o convênio que vai garantir a profissionalização dos servidores municipais da gestão cidade de todos.

“Ficou acertado, que todos os Funcionários Públicos terão 50% de desconto, nas Bolsas de Estudos Superiores, Técnicos e Pós-graduação. É mais uma porta que se abre para que nossos servidores busquem o seu tão sonhado Curso Superior”, destacou o prefeito em suas redes sociais.

Os servidores que se interessarem podem solicitar uma carta de encaminhamento à faculdade, que será emitida pela Secretaria Municipal de Administração. De posse desse documento, o servidor poderá se apresentar na faculdade e garantir um desconto para todo o curso.

ASCOM-PMC

Primeiro estudante surdo de Turismo defende TCC sobre visitação de pessoas surdas em museus e pontos turísticos de São Luis

O pesquisador mapeou as dificuldades que as pessoas surdas encontram quando visitam museus e pontos turísticos da cidade

Cultura, acessibilidade e inclusão social, esses são alguns dos elementos abordados no Trabalho de Conclusão de Curso (TCC) de Etelvino Neto, primeiro estudante surdo do curso de Turismo da UFMA. Ele defendeu o TCC no dia 15 e apresentou um projeto turístico voltado para visitação de pessoas surdas em museus e cartões postais de São Luís.

Com o objetivo de chamar a atenção para a inclusão das pessoas surdas no processo de visitação dos espaços culturais da cidade, Etelvino elaborou o projeto “Um dia de Vivência na Fábrica Santa Amélia: uma experiência inclusiva com deficientes auditivos”, em que a primeira etapa da pesquisa foi uma palestra ministrada no Centro de Ensino e Apoio à Pessoa com Surdez (CAS) para jovens e adultos surdos, mapeando as dificuldades que eles encontram quando visitam museus.

Etelvino observou que os espaços culturais de São Luís não foram adaptados para promoverem a inclusão de pessoas surdas. Na busca por alternativas que visam atenuar essa problemática, o pesquisador iniciou a produção de vídeos com a apresentação de expressões próprias da cultura maranhense em Língua Brasileira de Sinais (Libras) para facilitar a compreensão de termos relacionados ao turismo local, como “Palácio dos Leões” e “Tambor de Crioula”. De acordo com o acadêmico, todo processo de inclusão se inicia na busca por terminologias que facilitam a comunicação.

A segunda etapa da pesquisa consistiu em uma visita guiada por Etelvino no complexo de ensino da Fábrica Santa Amélia com a participação de alunos surdos do CAS. Segundo ele, a escolha desse espaço se deu por motivações relacionadas à sua própria vivência pessoal. “O trabalho é uma reflexão sobre questões que envolvem a minha própria vivência dentro da Fábrica, tal qual os desafios que assumi como estudante e algumas dificuldades que fui percebendo em relação à acessibilidade, como a falta de guias para cegos”, relatou.

De acordo com a professora Conceição de Maria Belfort, que orientou a pesquisa, esse trabalho é importante para promover a reflexão não somente sobre o acesso da pessoa surda aos espaços culturais, mas também para a experiência que elas têm quando visitam esses locais. “É importante que o processo de visitação desses espaços afete, positivamente, a experiência dos visitantes. No levantamento da percepção das pessoas surdas sobre sua visitação aos equipamentos culturais em São Luís, observou-se que esses espaços não são pensados para promover inclusão”, declarou.

Etelvino elaborou seu TCC em parceria com duas colegas de curso, Sarah Beatriz de Jesus Santos da Silva e Maria Natália Machado Coêlho, e pretende, em breve, ampliar seu trabalho para o contexto do curso de Hotelaria, com o objetivo de agregar novos espaços culturais e turístico em sua pesquisa.

Por: Bruno Goulart
Produção: Bruna Castro

Governo Bolsonaro autoriza uso da Força Nacional na posse de Lula


O Ministério da Justiça do governo de Jair Bolsonaro autorizou, em portaria publicada no Diário Oficial da União desta quarta-feira (28), o uso da Força Nacional na posse do presidente eleito Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

A portaria prevê que a Força Nacional atue em apoio à PRF (Polícia Rodoviária Federal) “nas atividades de escoltas, por ocasião da Operação Posse Presidencial 2023, em caráter episódico e planejado, no período de 27 de dezembro de 2022 a 2 de janeiro de 2023”.

A Força Nacional é composta por agentes de segurança pública dos estados -como policiais militares, bombeiros militares e policiais civis- que atuam para a União em ocasiões específicas.
Segundo a portaria do Ministério da Justiça, o uso da Força terá o apoio logístico da PRF.

Para a posse de Lula, está previsto o uso de 8.000 agentes de segurança, incluindo policiais e militares. A ideia da equipe do presidente diplomado é trabalhar com o uso proporcional da força do estado, ou seja, quanto maior o risco, maior as camadas de proteção que serão colocadas em prática.

Nesta terça (27), nos preparativos para a posse de Lula, houve um ensaio da cerimônia. Militares e servidores cumpriram as etapas das cerimônias previstas para o dia 1º no Congresso Nacional e no Palácio do Planalto. Há previsão de um último ensaio geral na sexta-feira (30).

A equipe do presidente eleito pediu ao governo federal e ao do Distrito Federal o fechamento de toda a Esplanada dos Ministérios a partir da próxima sexta-feira (30) para realizar rastreamento de explosivos e fazer a preparação do esquema de segurança para a posse, no dia 1º de janeiro.

O pedido de fechamento da Esplanada foi confirmado pelo futuro ministro da Justiça, Flávio Dino.

Segundo a Folha de S.Paulo apurou, o rastreamento dos explosivos faz parte de uma série de medidas adotadas pelo governo eleito para evitar incidentes durante a posse do petista.

Fonte: Folhapress (José Marques)