
Em entrevista ao programa ‘Diário da Manhã’, que tem transmissão ao vivo e simultânea pela Rádio e TV Assembleia, a juíza titular da Vara do Trabalho de Barreirinhas, Liliana Boueres, discorreu, nesta quarta-feira (14), sobre políticas públicas de combate ao tráfico de pessoas e erradicação do trabalho escravo no Maranhão.
Na condição de vice-coordenadora da Comissão de Combate ao Tráfico de Pessoas e Erradicação do Trabalho Escravo, a juíza Liliana Boueres fez uma explanação sobre o trabalho do Tribunal Regional do Trabalho da 16ª Região (TRT-MA), destacando o aumento das denúncias de trabalho escravo no Brasil, ao longo do ano de 2025.
Em conversa com o apresentador Ronald Segundo, a juíza Liliana Boueres declarou que “o Maranhão é o maior exportador de mão de obra escrava para outros estados do País e, em 2025, houve o registro de 4.515 denúncias no Brasil”.
A magistrada afirmou que em apenas uma das operações realizadas em 2025, ocorreu o resgate de 600 trabalhadores, dos quais 157 eram maranhenses. Além do aumento das denúncias, segundo a juíza do TRT-MA, houve também o aumento das operações de resgate desses trabalhadores realizadas pela Superintendência Regional do Trabalho, Polícia Federal e Ministério Público do Trabalho.
Alcance das ações
A juíza discorreu sobre a importância do trabalho dos profissionais que atuam diretamente no combate e prevenção ao trabalho análogo à escravidão, ampliando o alcance das ações de conscientização e educação em direitos humanos.
Liliana Boueres destacou a importância da mobilização social no enfrentamento dessas práticas. “Há, no âmbito da Justiça do Trabalho, projetos que têm como objetivo capacitar e mobilizar a sociedade, especialmente, aqueles que atuam na rede de proteção e acolhimento, para o apoio aos resgatados do tráfico de pessoas, do trabalho escravo e do trabalho infantil. Nosso foco é garantir que essas vítimas recebam atendimento digno e sejam capacitadas para que não voltem a ser exploradas”, afirmou.
Durante a entrevista, a juíza Liliana Boueres apresentou um panorama sobre o trabalho escravo contemporâneo e o tráfico de pessoas como graves violações aos direitos humanos. Apresentando dados alarmantes sobre trabalhadores resgatados no Brasil e pessoas em situação de escravidão moderna no mundo, a magistrada chamou atenção para a dimensão global do problema.
Ela enfatizou o papel do Judiciário em adotar interpretações amplas, aplicar punições rigorosas e garantir celeridade processual, além de destacar o papel da sociedade civil como peça-chave na vigilância e denúncia de casos. “Somente com esforços conjuntos entre os três poderes e a mobilização da sociedade, podemos sonhar com um Brasil livre da exploração e da escravidão moderna”, ressaltou.

