
A derrubada da antiga manufatureira de Codó, considerada um dos mais importantes remanescentes da história industrial do município, continua repercutindo e gerando indignação entre defensores da preservação da memória e do patrimônio cultural do município. Historiadores, pesquisadores e estudiosos da história local têm manifestado preocupação com a perda de uma estrutura que fazia parte da trajetória econômica, social e cultural codoense.
A antiga manufatureira era apontada em estudos e registros vinculados ao Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN) como um patrimônio histórico não consagrado, expressão utilizada para designar bens de reconhecido valor histórico e cultural que ainda não possuem tombamento oficial.
A área foi destinada pela Prefeitura de Codó para a construção do ginásio da Escola Liceu Codoense Nagib Buzar. Segundo informações divulgadas pela gestão municipal, a obra conta com recursos oriundos de emenda parlamentar do deputado federal André Fufuca.
Parte do acervo histórico da antiga fábrica, incluindo máquinas utilizadas durante seu funcionamento, foi preservada e encontra-se sob responsabilidade do Memorial do Instituto Histórico e Geográfico de Codó (IHGC), instalado na antiga estação ferroviária do município. A estrutura física da manufatureira, entretanto, foi completamente demolida.
A destruição do patrimônio histórico não consagrado também comprova desrespeito à legislação municipal voltada à proteção do patrimônio cultural. A Lei Municipal nº 1.538/2011, conhecida como Lei João Machado, estabelece instrumentos de preservação de bens históricos, culturais e naturais de Codó. O município também possui dispositivos de proteção previstos no Plano Diretor (Lei nº 1.449/2007) e no Plano Municipal de Cultura (Lei nº 1.928/2022).
Outro ponto que chama atenção é o silêncio do vereador governista Raimundo Leonel Magalhães Araújo Filho, líder do governo na Câmara Municipal de Codó.
Até o momento, o parlamentar governista não se manifestou publicamente sobre a derrubada da antiga manufatureira. Nas sessões da Câmara realizadas após a demolição do imóvel histórico, o tema também não foi abordado pelo líder governista em seus pronunciamentos.
Até o fechamento desta matéria, o Blog do Leonardo Alves não localizou nas redes sociais do vereador Raimundo Leonel vídeos com discursos em que o parlamentar se posicione sobre a demolição da antiga manufatureira de Codó.
A demolição da manufatureira eliminou um dos últimos vestígios físicos de um período importante da industrialização de Codó. Para estudiosos e defensores da preservação histórica, a perda da estrutura representa mais do que a remoção de um prédio antigo: significa o desaparecimento de uma referência material ligada à memória e à identidade do município.

