Ausência de governador do Maranhão em casamento de Flávio Dino expõe racha entre ex-aliados

O ministro do Supremo Tribunal Federal, Flávio Dino, decidiu tornar pública uma desavença com um antigo ex-aliado, o governador do Maranhão, Carlos Brandão (PSB). Seu sucessor no comando do estado e apadrinhado político por anos, Brandão somou rusgas com Dino desde 2022, mas que até então ficavam restritas nos bastidores e eram publicamente amenizadas por ambos.

No próximo sábado, contudo, o ministro não convidou o governador para um evento que irá movimentar a política maranhense: seu casamento com Daniela Lima, com quem se relaciona desde 2011, mas nunca formalizou a união no civil. Esta informação foi inicialmente divulgada pelo portal Metrópoles e confirmada, em seguida, pelo GLOBO.

Entre os convidados para a celebração que ocorre no próximo sábado (30) no município de Raposa estão o presidente Lula (PT) e o ex-presidente José Sarney. Da bancada federal, deve comparecer nomes como o deputado Duarte Júnior (PSB), que fez parte do grupo político por anos e concorreu este ano à prefeitura de São Luís.

Antes de ser excluído da cerimônia, Carlos Brandão se afastou do ministro. As rusgas começaram logo após assumir o Executivo, durante as eleições da Assembleia Legislativa. Dino havia costurado um acordo para reeleger Othelino Neto (PCdoB), que é marido de sua antiga suplente no senado, a hoje senadora Ana Paula Lobato.

Brandão insistiu na candidatura de Iracema Vale que, posteriormente, fez dois movimentos favoráveis a familiares do governador: indicou o irmão, Marcus, para a diretoria de Relações Institucionais da Casa e conduziu a votação que tornou o sobrinho, Daniel, conselheiro do Tribunal de Contas do estado (TCE-MA).

Após uma briga judicial por nepotismo, o caso chegou ao Supremo Tribunal Federal e foi justamente Flávio Dino que foi o autor da decisão que suspendeu o processo de escolha da Assembleia.

Esta movimentação judicial prejudicou um aliado seu, o vice-governador e seu ex-secretário Felipe Camarão (PT). Um acordo inicial previa que Brandão renunciaria para que Camarão pudesse concorrer ao governo do estado em 2026 já ocupando a máquina.

O governador, contudo, não dá como certo que quer o petista enquanto seu sucessor e tenta postergar, a todo custo, a decisão. Quem desponta como favorito para o cargo é justamente seu sobrinho, Daniel Brandão, que teve sua nomeação ao TCE-MA suspensa por Dino.

Um outro ponto de incômodo entre Dino e Brandão é a aproximação do governador com a direita, incluindo até mesmo o PL. Seu irmão, Marcus, hoje é presidente estadual do MDB, que abriga a família Sarney. Desafetos de Dino por anos, o clã esteve com o ministro na última eleição que disputou, em 2022.

Brandão e Dino tem evitado, inclusive, encontros. Após terem trabalhado juntos por sete anos, os dois frequentaram o mesmo ambiente apenas duas vezes neste ano: na posse do ministro no STF e no casamento do secretário-chefe da Casa Civil do Maranhão, Sebastião Madeira, no qual ambos foram padrinhos.

O GLOBO