
Nos últimos meses, o vereador Wanderson da Trizidela tem intensificado críticas à gestão municipal e passado a atuar cada vez mais próximo dos vereadores de oposição. A mudança de postura ocorre após um período em que o parlamentar defendia uma posição de independência dentro da Câmara Municipal de Codó.
O que chama atenção, no entanto, não é apenas a aproximação com a oposição, mas a diferença entre o discurso adotado na tribuna e as medidas efetivamente tomadas fora dela. Embora as críticas à gestão sejam constantes, uma consulta realizada pelo Blog do Leonardo Alves ao Sistema de Informações do Ministério Público neste sábado (06) mostra que o nome do vereador aparece em apenas duas manifestações, ambas assinadas em conjunto com outros parlamentares. Não há registro de denúncia individual de autoria exclusiva de Wanderson da Trizidela contra a gestão do prefeito Chiquinho Oliveira.
Quem sustenta um discurso de oposição e fiscalização firme também precisa demonstrar iniciativa na utilização dos instrumentos legais disponíveis para apurar os fatos que considera irregulares.
Um exemplo disso envolve uma empresa que foi alvo de reportagem do Blog do Leonardo Alves após a divulgação de informações mostrando que o empreendimento possuía registro em um endereço residencial simples na Trizidela. Depois da repercussão do caso, Wanderson utilizou a tribuna para fazer críticas e sugerir denúncia ao Ministério Público Federal. Entretanto, segundo as informações consultadas, o vereador não formalizou denúncia ao MPF sobre o assunto.
A verdadeira fiscalização exige atitudes concretas, documentos protocolados, representações formais e acionamento dos órgãos competentes quando houver indícios que justifiquem investigação.
A força da oposição não pode ficar restrita às palavras. Quando um parlamentar decide assumir uma postura mais crítica diante da gestão municipal, espera-se que suas ações acompanhem a intensidade de seus discursos.
Por isso, a principal cobrança direcionada ao vereador Wanderson da Trizidela não está relacionada ao direito de criticar a gestão municipal, algo legítimo e inerente ao mandato parlamentar. A cobrança é outra: transformar o discurso em prática e utilizar, de forma efetiva, os mecanismos de fiscalização que o cargo lhe oferece.

