
O vereador Raimundo Leonel Magalhães Araújo Filho (Raimundo Leonel/Leonel Filho) demonstrou contradição em vídeo publicado nas redes sociais, no último sábado (20), ao responder a matérias divulgadas por blogueiros da oposição.
Acusado pela Aliança Nacional LGBT de crime de homofobia, ocorrido em plena sessão da Câmara Municipal, o parlamentar passou a se declarar defensor da causa LGBTQIA+. No entanto, ao longo de seu mandato, nunca levantou a bandeira da comunidade LGBT no Legislativo municipal, tampouco apresentou, em anos anteriores, projetos voltados à defesa dos direitos dessa população.
Após a repercussão negativa de declarações em que chamou gays de “verdadeiros satanás”, o vereador apresentou um projeto de lei em 2024, em uma tentativa de minimizar o desgaste político junto à comunidade LGBT. Nesta semana, voltou a se apresentar publicamente como “defensor” da causa. Ainda assim, não há elementos que indiquem uma mudança concreta de postura ou um arrependimento sincero. Embora tenha feito retratação pelas falas homofóbicas, o gesto não foi suficiente para conter a indignação da comunidade LGBT e de grande parte da população que repudia o preconceito e a discriminação.
As declarações proferidas em 2022 repercutiram não apenas em Codó, mas também em outros municípios e estados. No exercício da atividade parlamentar, Raimundo Leonel adotou um discurso preconceituoso, atingindo diretamente pessoas homossexuais e ferindo sua dignidade e intimidade.
Diversas entidades e órgãos emitiram notas de repúdio ao discurso homofóbico do vereador. Entre eles estão o Conselho Estadual de Direitos Humanos da População LGBT+, a Aliança Nacional LGBT, a OAB Seccional Maranhão, por meio da Comissão de Diversidade Sexual, o Casarão LGBT de São Paulo e a Secretaria de Estado de Direitos Humanos.
O parlamentar chegou a ser alvo de um Procedimento de Investigação Criminal no Ministério Público e respondeu a inquérito policial em razão das falas homofóbicas proferidas na Câmara Municipal.
Apesar das tentativas de reabilitar sua imagem junto ao público LGBT+, a marca negativa permanece. A comunidade LGBT de Codó não pode esquecer declarações que foram dolorosas e deixaram impactos profundos em um grupo social historicamente vulnerável e frequentemente alvo de discriminação.
Prova disso é que o vereador não participou da 1ª Conferência Regional das Pessoas LGBQIAPN+, realizada em Codó nos dias 26 e 27 de maio de 2025, que contou com a participação de representantes de 18 municípios.
Mesmo ocupando a posição de líder do governo na Câmara, Raimundo Leonel — denunciado pela Aliança Nacional LGBT por homofobia e que agora afirma defender a comunidade LGBTQIA+ — não esteve presente no evento e tampouco utilizou sua influência política para estimular a participação de outros parlamentares da base governista. Sua ausência evidenciou a falta de sensibilidade e compromisso efetivo com a defesa dos direitos da população LGBTQIAPN+ no município de Codó.





