Lula faz publicação no Dia do Evangélico e lembra que data foi sancionada por ele

Lula (Reprodução)

A declaração do atual presidente foi vista como um aceno ao segmento que na sua grande maioria apoia Jair Bolsonaro

Nesta quinta-feira (30/11), feriado nacional que celebra o Dia do Evangélico, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), usou as redes sociais para parabenizar o segmento e lembrar que a data foi sancionada por lei em 2010, durante o seu segundo mandato.

Através de sua conta no X (ex-Twitter), o político fez menção à importância da data, ressaltando a relevância da tolerância e da liberdade religiosa.

“Hoje, 30 de novembro, é Dia do Evangélico, data importante sancionada no meu segundo mandato, em 2010. Um dia para celebrar a liberdade religiosa, o exercício da fé e dos ensinamentos de Jesus Cristo de solidariedade, compaixão e tolerância”, escreveu.

O Dia do Evangélico foi estabelecido para o 30 de novembro após a aprovação da Lei 12.328 pela Câmara Federal, no ano de 2010.

O autor da lei foi o deputado federal Cléber Verde, filiado ao partido Republicanos, representante do estado do Maranhão.

A comunidade evangélico é uma das que mais cresce no país, segundo Censo de 2010, entre os 86,8% dos brasileiros que se identificaram como cristãos, 22,2% afirmaram ser seguidores da fé evangélica.

O percentual cresceu bastante de acordo com uma pesquisa publicada em 2020 pelo Datafolha, que mostrou que os evangélicos são 31% dos brasileiros que declararam ter alguma religião. Ainda segundo o estudo, as mulheres representavam 58% dos adeptos dessa fé.

A declaração do atual presidente foi vista como um aceno ao segmento que na sua grande maioria apoiou o ex-presidente Jair Bolsonaro nas eleições de 2022.

F Gospel

Girão diz que decisão do STF afronta liberdade de imprensa e visa calar críticos

O senador Eduardo Girão (Novo-CE) classificou como gravíssima a tese aprovada pelo Supremo Tribunal Federal (STF) na quarta-feira (29). A corte decidiu que veículos de comunicação podem ser responsabilizados civilmente por declarações feitas por entrevistados em reportagens jornalísticas. Em pronunciamento nesta sexta-feira (1), o parlamentar afirmou que os STF infligiu “mais um duro golpe contra a liberdade de expressão”. Para o parlamentar, a medida serve para calar pessoas com pensamentos conservadores, já que a tese intimida veículos independentes e críticos:

— Onde já se viu isso no planeta? Este país está mesmo completamente de cabeça para baixo! Os donos do poder, com medo de críticas a eles, tomam uma decisão dessa! Sabe o que vai acontecer? Simplesmente, não vão chamar mais, absolutamente, não vão chamar pessoas, políticos, outros cidadãos da sociedade que são críticos do sistema, que discordam, por exemplo, do que o STF está fazendo, jogando o Brasil em uma insegurança jurídica jamais vista na história desta nação!

Para o senador, a medida impõe duas consequências diretas muito negativas à sociedade. Além do ataque explícito à liberdade de expressão e de imprensa, Girão disse que a tese também favorece condutas abusivas por parte de autoridades públicas em todos os níveis e esferas de poder.

— Todos nós conhecemos a grande dificuldade na coleta de provas de qualquer crime financeiro. Quantas vezes grandes esquemas de corrupção só foram devidamente investigados e desvendados depois que denúncias dos graves indícios foram noticiados pelos meios de comunicação, e, geralmente, através de alguma entrevista? A partir de agora, o importantíssimo trabalho do jornalismo investigativo brasileiro será marginalizado e até criminalizado.

Girão celebrou o fato de o deputado Marcel Van Hattem (Novo-RS) ter alcançado as assinaturas necessárias para instalação da CPI do “Abuso de Poder” na Câmara dos Deputados. Na avaliação do senador, a instalação dessa CPI será uma vitória para o Brasil.

— Essa CPI vai trazer luz a tudo que está acontecendo. Gente que está sendo condenada de forma irresponsável, 17 anos de prisão, enquanto grandes corruptos, assassinos, traficantes soltos, que tiveram penas muito menores [aplicadas] aos brasileiros do dia 8 de janeiro. A maioria esmagadora entrou por curiosidade, não quebrou nada. Está sendo humilhada, chamada de terrorista.

Agência Senado

Janaína faz moção de aplausos em favor de PEC que visa à imunidade tributária de templos religiosos

A parlamentar enalteceu a iniciativa proposta pelo deputado federal Marcelo Crivella, em defesa da ampliação da imunidade tributária conferida a templos de qualquer culto

Deputada Janaína disse que a moção de aplausos é uma forma de reconhecimento à importância da iniciativa que busca atender ao interesse social

Foi aprovada na quarta-feira, 29, na Assembleia Legislativa do Maranhão, moção de aplausos, de autoria da deputada Janaina Ramos (Republicanos), ao deputado federal Marcelo Crivella, por propor a PEC 05/2023 (Proposta de Emenda à Constituição), que visa à ampliação da imunidade tributária conferida a templos de qualquer culto e a patrimônio, renda ou serviços dos partidos políticos (incluindo suas fundações), das entidades sindicais dos trabalhadores e das instituições de educação e de assistência social, sem fins lucrativos.

A parlamentar explica que a moção de aplausos “é uma forma de reconhecimento à importância desta iniciativa que busca, portanto, atender ao interesse social”.

Segundo dados do IBGE, professar uma religião é considerado como de “extrema importância” para 92% da população brasileira. Com a criação da PEC 05/2023, haverá uma maior facilidade para que os trabalhos sociais sejam desenvolvidos por instituições religiosas e outras.

Conselheira tutelar mais votada tem candidatura impugnada por “abuso de poder religioso e político”

A advogada Rosana Rabelo, de São José dos Campos, interior de São Paulo, conquistou a posição de conselheira tutelar mais votada do Brasil, com 7.004 votos. Contudo, o Conselho Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente (CMDCA) optou por impugnar sua candidatura, alegando “abuso de poder religioso e político”. A decisão foi tomada por sete dos 12 integrantes do CMDCA, indicados pela prefeitura.

Diante da impugnação, Rosana Rabelo recebeu amplo apoio da sociedade, resultando em uma manifestação na Câmara Municipal de São José dos Campos. Essa mobilização levou à formação de uma frente de trabalho composta por vereadores, que buscarão ouvir todas as partes envolvidas para esclarecer os acontecimentos.

A advogada, eleita com propostas voltadas para a defesa das crianças, afirmou em suas redes sociais que, após a manifestação popular, teve a oportunidade de ser ouvida por vereadores e membros de comissões parlamentares. Durante esse processo, foram identificadas várias falhas no procedimento de escolha do Conselho Tutelar, as quais serão investigadas.

Rabelo destacou que a razão para a impugnação foi o apoio recebido de uma igreja local e de um político. Um pastor incentivou seus fiéis a participarem da eleição para o Conselho, enquanto um político endossou a candidatura da advogada.

GOSPEL PRIME

Câmara dos Deputados aprova na madrugada pacote que diminui controle sobre licitações

O relógio marcava 0h39 da madrugada desta quinta-feira, 30, e já era feriado em Brasília quando a Câmara dos Deputados aprovou um pacote de projetos que acelera o envio de verbas a redutos eleitorais e diminui o controle sobre licitações de prefeituras. As propostas são criticadas por especialistas, que apontam riscos de desvios, falta de transparência e até formação de cartéis.

Um dos projetos, apresentado pelo deputado Otto Alencar Filho (PSD-BA), permite que prefeituras embarquem em licitações de outros municípios comprando os mesmos produtos dos mesmos fornecedores sem abrir um novo procedimento.

O modelo é chamado de ata de registro de preços e serve apenas para compras recorrentes de coisas comuns, como copos descartáveis, materiais de limpeza e alimentos. De acordo com especialistas, a prática pode contaminar as licitações nos municípios, ao estabelecer os mesmos produtos e os mesmos fornecedores para cidades que possuem realidades diferentes. Além disso, se for constatado algum problema na contratação, como superfaturamento ou direcionamento para uma única empresa, todas são impactadas.

A adesão para contratações que não são recorrentes já causou desvios de dinheiro público, como nos casos de asfalto do orçamento secreto, compra de kits de robótica e gastos com bistecas não entregues para indígenas na Amazônia.

No total, foram aprovados quatro projetos apensados em um único, o que acontece normalmente quando propostas sobre o mesmo tema são apresentadas. O pacote foi aprovado com 307 votos favoráveis, 27 contrários e uma abstenção.

O relator, deputado Elmar Nascimento (União Brasil-BA), não estava mais na Câmara e quem leu o parecer foi o deputado Domingos Sávio (PL-MG). O presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), também havia deixado o local antes da deliberação. A maioria dos deputados votou remotamente, pelo celular. No momento da aprovação, a quantidade de deputados presentes no plenário não passava de 50.

“Nós não sabemos o que estamos votando. Eu não posso nem ser contra, nem a favor, porque nós não sabemos”, disse a deputada Julia Zanatta (PL-SC), que votou contra. O deputado Cabo Gilberto Silva (PL-PB) votou a favor e disse que foi “convencido” por líderes partidários de que o projeto era bom, mas criticou a votação relâmpago na madrugada. “Precisamos ter previsibilidade e saber o que estamos votando.”

O bloco da maioria, que reúne os partidos com o maior número de parlamentares, não orientou a votação. “Vou seguir a maioria e vou embora. A maioria foi embora, presidente”, disse o deputado Evair Vieira de Melo (PP-ES), provocando risos entre os colegas. Ele votou contra.

Prefeituras

O pacote deve facilitar o envio de verbas federais, incluindo as emendas parlamentares, para prefeituras em 2024, ano de eleições municipais. Prefeitos pressionam congressistas por envio mais rápido de dinheiro e entregas antes da disputa.

Outro projeto do pacote aprovado, de autoria da senadora Tereza Cristina (PP-MS), cria um regime simplificado para o envio de recursos federais a municípios que assinam convênios para receber a verba e fazer as obras.

Com a proposta, se o projeto custar até R$ 1,5 milhão, o dinheiro vai cair de uma só vez, de forma antecipada, e só depois a prefeitura vai executar o serviço. Antes, o pagamento era feito em parcelas e dependia do andamento da obra, o que gerava um controle maior, mas também reclamações de prefeitos e parlamentares em função da demora.

Além disso, se a obra custar menos do que o repasse enviado pelo governo federal, a prefeitura não terá mais que devolver o restante e poderá usar a sobra para ampliar o projeto. Por exemplo, se planejou pavimentar 20 ruas, poderá asfaltar mais cinco.

O modelo é uma resposta ao uso da emenda Pix, que também envolve o repasse direto de recursos para prefeituras, mas não é fiscalizada e tem provocado críticas de especialistas e órgãos de controle.

O regime simplificado prevê transferência direta e antecipada, mas ainda mantém a fiscalização federal com exigências técnicas como plano de trabalho, licenciamento ambiental e relatórios de acompanhamento – o que não acontece com a emenda Pix.

A adesão à emenda Pix cresceu e pode atingir R$ 12 bilhões em 2024, ano de eleição municipal, mas o uso tem incomodado alguns parlamentares, pois os prefeitos podem usar o dinheiro de qualquer maneira e muitos não gastam conforme a indicação do congressista.

Propostas sigilosas

O mesmo projeto abre uma brecha para diminuição da transparência em licitações e até a formação de cartéis. Em licitações com valores acima de R$ 1,5 milhão, empresas vão oferecer propostas de forma sigilosa para obras de engenharia, assistência técnica e serviços de limpeza urbana.

Nesse formato, chamado de modo de disputa fechado, as propostas de quem está interessado em vencer a licitação só são conhecidas no momento da divulgação e da abertura de todos os lances apresentados – o que pode facilitar a formação de conluios entre empreiteiras. O modelo já existe, e o projeto diz que, nas compras acima de R$ 1,5 milhão, essa vai ser a regra.

Para o procurador de Justiça e presidente do Instituto Não Aceito Corrupção, Roberto Livianu, o pacote traz preocupações no momento em que o valor das emendas parlamentares aumenta e a fiscalização diminui. “Os ingredientes do projeto nos mostram que a situação é gravíssima e, se tiver problema em uma licitação, o vício vai contaminar as licitações que embarcarem na mesma contratação”, disse. “Não se elimina a burocracia desrespeitando o patrimônio público. O projeto pode gerar uma concentração de mercado, que é nociva e vai na contramão do próprio princípio da licitação.”

‘Obra inacabada’

O relator do pacote, Elmar Nascimento (União-BA), afirmou no parecer que a proposta gera maior rapidez e eficiência nas compras e contratações por parte dos municípios. Agora, o texto irá à sanção ou veto do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. “Precisamos acabar com esse negócio de obra inacabada no Brasil e de perder dinheiro público porque não se consegue concluir uma licitação adequada”, disse Domingos Sávio.

As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

Fonte: Estadão Contéudo