Depois da PF, Lula deve mudar superintendentes da Receita Federal

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva pretende substituir superintendentes da Receita Federal. A avaliação é de que, assim como ocorreu na Polícia Federal e na Polícia Rodoviária Federal (PRF), houve um direcionamento nesses cargos de confiança para nomes ligados ao ex-presidente Jair Bolsonaro e sua família.

Além disso, outras mudanças devem ser feitas depois de o ex-presidente ter promovido um esvaziamento no Fisco, especialmente na área de fiscalização.

Segundo o Broadcast (sistema de notícias em tempo real do Grupo Estado) apurou, o secretário da Receita Federal, Robinson Barrerinhas, procura novos nomes para as administrações regionais do Fisco e pretende aumentar o número de mulheres e negros ocupando esses cargos – diretriz de Lula para toda a administração.

Ao todo, a Receita tem dez superintendentes. Desde a saída de Bolsonaro, apenas o da 6.ª Região Fiscal, que corresponde ao Estado de Minas Gerais, foi substituído porque o então ocupante do cargo, Mário Dehon, foi promovido a subsecretário de Arrecadação e Cadastros.

Dehon era superintendente do órgão no Rio de Janeiro no início do governo Bolsonaro, e acabou sendo transferido para Minas após uma série de supostas interferências do ex-presidente na Receita Federal no Estado de origem de sua família.

Em um dos episódios, em 2019, o então presidente chegou a dizer que o Fisco do Rio estaria fazendo uma “devassa” na vida financeira de seus familiares e teria pedido a substituição de Dehon e de delegados da Receita ao então ministro da Economia, Paulo Guedes.

As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

Fonte: Estadão Conteúdo

Decisão de Lula sobre saída do Brasil de aliança antiaborto afasta evangélicos

Lula em encontro com evangélicos (Reprodução)

A medida acabou sendo usada por parlamentares da oposição, para lembrar que Lula havia dito que é contra o aborto.

A decisão do governo Lula (PT) de retirar o Brasil da Declaração do Consenso de Genebra sobre Saúde da Mulher e Fortalecimento da Família, que na prática é uma aliança antiaborto, criada em 2020 pelo ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e que passou a ser liderada pelo governo do ex-presidente Jair Bolsonaro após a vitória de Joe Biden nos EUA, aumentou a distância entre Lula e os evangélicos.

Embora o Ministério das Relações Exteriores tenha dito, em nota, que “o Brasil considera que o referido documento contém entendimento limitativo dos direitos sexuais e reprodutivos e do conceito de família e pode comprometer a plena implementação da legislação nacional sobre a matéria, incluídos os princípios do Sistema Único de Saúde (SUS)”, o que se espalhou em grupos evangélicos no WhatsApp foi a notícia que Lula estaria se aproximando da possibilidade de “liberar o aborto” no país.

A medida acabou sendo usadas por parlamentares da oposição, para lembrar que o presidente havia dito que é contra o aborto, e que Bolsonaro já alertava sua militância sobre isso.

Caio Rangel

Daniel Alves muda versão e diz que sexo com mulher foi “consensual”

Daniel Alves teria mudado a versão e admitido o sexo com jovem em boate de Barcelona, segundo informações de jornal espanhol

O jogador brasileiro Daniel Alves teria mudado a versão e admitido que fez sexo consensual com a mulher que o acusa de assédio sexual em uma boate de Barcelona. As informações são do jornal El Periódico.com, da Espanha. O craque está preso preventivamente desde sexta-feira (20/1).

Segundo a reportagem, Daniel Alves entrou em contradição durante depoimentos no tribunal e na delegacia, após ser intimado a esclarecer a denúncia. O craque, que havia negado qualquer encontro com a vítima, de 23 anos, em um vídeo enviado à emissora de TV Antena 3 há duas semanas, teria garantido que as relações foram consensuais.

Daniel é suspeito de assediar a jovem em uma boate de Barcelona em 31 de dezembro de 2022. A vítima alega que o lateral de 39 anos tocou suas partes íntimas, sem consentimento. Segundo relatos da imprensa espanhola, as câmeras internas da balada mostram Daniel e amigos no local e, também, registram o momento em que o atleta entra no banheiro com ela.

Como destacou a coluna Leo Dias, oficialmente, o atleta negou as acusações. Embora tenha confirmado que esteve na boate citada pela denunciante, o jogador rechaçou a atitude e afirmou que não conhece a moça.

Daniel Alves é o jogador mais velho a atuar pela Seleção Brasileira em uma Copa do Mundo, quando defendeu a Canarinho no Catar. Com passagens pelo Barcelona e PSG, ele defende atualmente a camisa do Pumas, do México.

A modelo espanhola Joana Sanz não deixou de demonstrar apoio ao marido, Daniel Alves. Pelas redes sociais, ela publicou uma foto de mãos dadas com o lateral. Joana escreveu “Together” (juntos) na legenda da foto, publicada nesta sexta.

O clube mexicano Pumas rescindiu contrato com Daniel Alves logo após a prisão do jogador.

Metrópoles

Após 20 anos de luta, agentes comunitários se tornam profissionais da Saúde

Lula cumprimenta Sandrão, figura central na luta pelos direitos dos agentes (Foto: Ricardo Stuckert)

Presidente Lula parabenizou categoria ao sancionar a lei que garante aos agentes os mesmos direitos dos demais profissionais do SUS. “Continuem lutando, porque é a luta que faz a lei”

Ao sancionar a lei que reconhece os agentes comunitários de saúde e agentes de combate às endemias como profissionais da Saúde e, assim, lhes garante os direitos de todos os demais profissionais do Sistema Único de Saúde (SUS), o presidente Lula parabenizou a categoria pela conquista, ressaltando que ela foi resultado de uma luta de duas décadas.

O presidente lembrou que essa luta teve um personagem central, o agente de combate às endemias e diretor da Confederação Nacional dos Trabalhadores de Seguridade Social da CUT, Sandro Cézar.

“O Sandrão nunca deixou de cobrar aquilo que vocês estão conquistando hoje”, disse Lula. “Ele me perturbou na porta do Alvorada, na porta do Planalto, ele perturbava o Gilberto Carvalho, o Alexandre Padilha. É o verdadeiro espírito do dirigente sindical que a gente tem que ter no Brasil. Continuem lutando, porque é a luta que faz a lei”, completou.

Sandro Cézar agradeceu o presidente por sempre ter estado ao lado da categoria. Ele lembrou que, em 2003, Lula reintegrou milhares de agentes que haviam sido desligados do sistema público em 1999 e, mais tarde, em 2006, regulamentou a profissão.

“Muitos serviços vão até a porta das pessoas, mas o nosso entra na casa de cada brasileira e brasileiro. Por isso, quero parabenizar cada companheiro e companheira, agente comunitário de saúde e agente de combate a endemias de todo o Brasil”, disse.

O ministro da Casa Civil, Marcio Macedo, concordou com Cézar: “Os agentes de saúde e de endemias são, talvez, os mais próximos das famílias, que atendem nos momentos mais difíceis e delicados. Quem conhece o dia a dia sabe da importância desses profissionais. Parabéns à luta dos trabalhadores”.

Nísia: é preciso cuidar de quem cuida da saúde

Já a ministra da Saúde, Nísia Trindade, ressaltou a importância de o Estado tratar bem as pessoas que trabalham em prol da saúde da população e disse que essa será uma preocupação constante do atual governo.

“Quero afirmar aqui o compromisso do Ministério da Saúde, ao lado de todo o governo liderado pelo presidente Lula, de avançarmos nessa pauta de cuidado com a saúde e com os trabalhadores que cuidam da saúde”, garantiu.

Da Redação

Entenda a crise de saúde yanomani, que levou Ministério da Saúde decretar emergência

Nesta sexta (20), a crise de saúde entre os yanomami fez o Ministério da Saúde decretar Emergência em Saúde Pública de Importância Nacional. A pasta informou que enviou uma equipe para averiguar a situação no território indígena na última segunda (16).

Ao chegar ao local, a equipe do ministério observou um cenário com crianças e idosos com problemas graves de saúde. Desnutrição, malária e infecção respiratória aguda (IRA) foram algumas das complicações que a pasta informou.

Apenas a malária foram mais de 11 mil casos em 2022 no Distrito Sanitário Especial Indígena Yanomami. Para efeito de comparação, todo o território yanomami tem cerca de 30 mil habitantes. O número de casos da doença em 2022 é maior naqueles com idade superior a 50 anos.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva esteve na área e chamou a situação de “desumana”.

De acordo com o Sistema de Informações da Atenção à Saúde Indígena (Siasi), do Ministério da Saúde, foram registradas 99 mortes de crianças yanomami em 2022. As causas são variadas, incluindo desnutrição e Síndrome Respiratória Aguda Grave (Srag).

Três desses óbitos foram registrados de 24 a 27 de dezembro nas comunidades Keta, Kuniama e Lajahu. As causas documentadas são Srag, desidratação e desnutrição.

Os dados completos da missão do Ministério da Saúde devem ser finalizados em fevereiro. Isso porque os técnicos continuam no território até 25 de janeiro e depois contam com 15 dias para escrever o relatório.

“Técnicos estão analisando toda a situação de saúde na região, dos atendimentos prestados e insumos disponíveis”, informou o Ministério da Saúde.

Mesmo com os dados ainda não consolidados, uma sala de situação foi instaurada para tratar a crise que os Yanomamis enfrentam. Segundo a ministra da Saúde, Nísia Trindade, já foram enviadas cestas básicas, insumos e medicamentos para o território.

Também foi instaurado o Centro de Operações de Emergências em Saúde Pública (COE-Yanomami) para empregar medidas durante a situação de emergência nacional.

Outro problema já relatado anteriormente é em relação a verminoses. Em novembro de 2022, uma operação foi realizada pela PF (Polícia Federal) e pelo MPF (Ministério Público Federal) para combater um suposto desvio de recursos públicos destinados à compra de medicamentos aos yanomamis.

As supostas fraudes resultaram na retenção de medicamentos, em especial vermífugos, o que deixou 10.193 crianças desassistidas, segundo nota divulgada pela PF.

Dados utilizados pelo MPF apontam que, de 13.748 crianças aptas ao tratamento de verminoses no primeiro semestre de 2022, apenas 3.555 receberam tratamento.

O resultado do desfalque dos remédios foi um “aumento de infecções e manifestações de formas graves da doença, com crianças expelindo vermes pela boca”.

A situação da saúde entre os Yanomami, que tiveram o território demarcado há 30 anos, já era relatada anteriormente.

Publicado em abril de 2022, o levantamento “Yanomami sob ataque” realizado pela Associação Yanomami Hutukara e pela Associação Wanasseduume Ye’kwana, com assessoria técnica do ISA (Instituto Socioambiental), mostrava que uma crise na área já era observada, com aumento dos casos de malária e de desnutrição infantil.

A situação ganhou destaque com uma foto uma menina yanomami deitada em uma rede e com as costelas expostas.

Segundo o levantamento, Arathau, uma das regiões da terra indígena localizadas próxima ao Rio Parima, registrava o maior índice de desnutrição em todo o território. Entre as crianças com até cinco anos, cerca de 79,3% registrava baixo ou muito baixo peso.

O relatório realizado pelas associações também aponta o garimpo como um dos maiores problemas dos indígenas e que tem associação direta com o aumento da desnutrição. Por exemplo, a prática causa o desmate da terra, diminuindo terreno fértil. Além disso, o garimpo introduz doenças entre os indígenas, o que diminui a capacidade de trabalhar e cuidar das crianças.

A malária também é descrita no relatório como uma doença que registrou aumento de casos nos últimos anos. Ainda nas comunidades localizadas em Arathau, os casos cresceram cerca de 1127% entre 2018 e 2020.

Fonte: Folhapress (Samuel Fernandes)